Atenção Plena

por Hugo

O desafio de quem pratica meditação não é ficar sentado cinco minutos parado, não pensando em nada – embora isso, por si só, já tenha um enorme grau de dificuldade. Trabalhoso é transportar o estado mental que se atinge quando se está concentrado, em um quarto silencioso, sem interrupções, para todo o resto do dia, com crianças berrando, pressões de trabalho, exigências de performance, reclamações do namorado ou da namorada, dor de cabeça e tudo o mais.

Existe uma lição muito famosa, repetida em diversos livros, filmes e palestras motivacionais, que diz que o importante é “estar no momento presente, no aqui e agora”. Muito fácil dizer, muito difícil fazer. Estar completamente presente significa não ficar fantasiando com possibilidades, imaginando o futuro ou sonhando com o passado. Ter atenção plena exige estar focado na exata ação que você estiver desenvolvendo naquele instante.

Como no caso da meditação, as primeiras objeções geralmente surgem de quem não tem a menor intenção de tentar. “Se você viver sempre no agora, então não vai planejar nunca o que fazer? Vai ficar o tempo todo agindo de improviso?” Basta pensar um pouco para perceber que você pode muito bem alocar alguns minutos do seu dia para “planejar o dia de amanhã” ou “planejar a semana que vem” ou “planejar minha carreira” e, aí sim, pensar no futuro.

“Pensar no futuro” é uma ação e, dessa forma, pode receber a atenção plena, também chamada de mindfulness. O importante é ter um foco – quando você vai pensar nas tarefas de amanhã, não adianta ficar sonhando com a Mega Sena ou com sua colega de faculdade. O mesmo vale para reminiscências – se tiver que pensar em algo do passado, tenha o foco de se concentrar na questão em mãos e não ficar relembrando seu primeiro amor.

Quem já tentou essa atenção plena sabe que tudo vai bem durante os primeiros cinco minutos e, de repente, sem você nem perceber, você já estava pensando no jogo de amanhã enquanto abria 10 abas no Google Chrome. Por isso, a vantagem de um lembrete constante da necessidade de estar no presente – seja na forma de uma frase no topo do caderno ou de uma página inicial do navegador.

É trabalho pesado, mas traz grandes benefícios. Quando você está no presente, consegue se concentrar na lista de coisas a fazer. Dedicando atenção plena, você aproveita melhor o seu filho ou a sua esposa. Sem distrações mentais o tempo inteiro, o trabalho rende, a conversa é mais interessante e desenvolvida, o descanso é melhor. Sim, porque está não é uma daquelas técnicas mirabolantes de produtividade, mas uma forma de se viver em paz.

Quando você dedica atenção completa ao seu momento de descanso, o domingo deixa de ter aquele gosto terrível de véspera de segunda-feira, simplesmente porque a segunda deixa de existir na sua mente. Hoje é domingo e só o domingo importa. Claro, em algum momento do dia, você escolheu a atividade “planejar noite de domingo” e criou uma lista básica de coisas a ficarem prontas pra te ajudar na manhã da segunda – carteira e celular em cima da mesa, camisa passada, mochila arrumada. Tirando o momento de planejar essas ações e o de realizá-las, todos os outros minutos do domingo podem ser dedicados ao seu lazer.

Esse é o universo da atenção plena, onde vivem os grandes mestres, gurus, monges e santos; onde também habitam os atletas na hora da competição, os guerreiros no momento da verdade. É desafio para a vida inteira, uma tarefa árdua de treinar de uma forma completamente diferente o seu modo de pensar, mas o impacto é muito maior que o esforço. Comece agora.

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