Sofrimento – Dukkha

por Hugo

Quando eu estava na oitava série, minha professora de Religião formou grupos e pediu que cada um apresentasse um trabalho sobre alguma das grandes religiões mundiais. Ao meu grupo coube o Budismo. Foi nessa ocasião em que tive meu primeiro contato com as Quatro Nobre Verdades sobre o Sofrimento – mais tarde, aprendi que o termo original, dukkha, significa um amálgama de sofrimento, ansiedade, estresse, insatisfação… um sentimento familiar a quase qualquer pessoa.

Pode assustar toda uma filosofia calcada no sofrimento, mas a ideia do Budismo não é ser pessimista. O objetivo é tentar fazer com que entendamos a realidade da vida como ela é – incluindo o fato de que todos nós experimentamos momentos ruins. Por isso, essa percepção foi organizada na forma de quatro pensamentos. O primeiro deles é a Nobre Verdade sobre a natureza de dukkha. Tão complexo é esse sentimento que ele se subdivide em três ou até oito formas diferentes.

A forma exterior mais evidente é justamente dukkha-dukkha, traduzido comumente como o sofrimento do sofrimento. Esse nível está relacionado ao sofrimento óbvio que surge de:

  1. Nascimento (jāti) – não só o desconforto associado a nascer e experimentar o estranho mundo pela primeira vez como a sensação ruim associada a novas experiências e demandas.
  2. Velhice (jarā) – o sentimento ruim do deterioramento do corpo, da mente, dos relacionamentos, das coisas…
  3. Enfermidade (byādhi) – a penosa sensação de estar doente, não apenas física, mas mental ou emocionalmente.
  4. Morte (maraṇa) – o terror da morte, da interrupção súbita dos projetos e dos anseios, da partida dos entes queridos.
  5. Receber ou passar pelo que não se deseja – é a sensação de infortúnio que nos domina quando somos incapazes de evitar algo desagradável e pesaroso.

O segundo nível chama-se viparinama-dukkha, também conhecido como o sofrimento da mudança ou o sofrimento da impermanência, e trata de todo sentimento ruim gerado pelo apego ao que não é eterno. A dor geralmente surge como consequência de:

  1. Não conseguir reter/manter o que é desejável – aqui se incluem a beleza, a saúde, o dinheiro, os amigos, a felicidade.
  2. Não receber o que se deseja – aquela sensação de não receber o prêmio por seus esforços ou não ver concretizado os seus sonhos, mesmo aqueles absolutamente fantasiosos.

Por fim, o nível mais profundo de todos é chamado de saṃkhāra-dukkha e é o sofrimento do estado condicionado da existência. Em outras palavras, é um sofrimento sempre presente na vida de qualquer ser e que acrescenta um gosto indelével de amargor a qualquer experiência porque todas as formas de vida são impermanentes e a vida está mudando constantemente. Essa falta de satisfação com a frustração de nossas ambições e desejos, essa sensação de que nada nunca está à altura do que realmente sonhamos.

Como mencionei antes, essa é uma verdade dura, mas é essencial entendermos que é assim que funciona o nosso sofrimento. No entanto, estamos no Universo de causas e efeito e o sofrimento, na realidade, é causado por uma raiz, tanha – ânsia, desejo.

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