Em Busca de…

Verdade, Luz, Liberdade, Amor e Paz

Mês: setembro, 2013

Livros Clássicos

Em um certo momento da vida, nós, que temos gosto pela leitura, chegamos a uma conclusão terrível: não será possível lermos todos os livros que gostaríamos. Simplesmente não há tempo suficiente, mesmo se a nossa profissão e nosso lazer fosse unicamente voltados para isso. Por lógica, precisamos escolher com cuidados os livros que leremos.

Os critérios, claro, são pessoais. Tenho um grande amigo que não tem o menor interesse em ficção. Não estou falando apenas em ficção científica, Asimov, Philip K. Dick e coisas do gênero. Ele só gosta de ler textos que exponham teorias, filosofem ou narrem acontecimentos históricos. Uma das raras exceções foi O Senhor dos Anéis e acho que só porque Tolkien descreve a Terra Média de tal forma que, em alguns pontos, parece um livro de geografia ou de linguística.

Além disso, não sou partidário da ideia de que existe literatura intrinsecamente ruim. Certamente existem escritores com pouco domínio sobre a língua ou sobre técnicas narrativas; o argumento do livro pode ser fraco e a trama óbvia demais ou desnecessariamente complicada. Ainda assim, como quase qualquer coisa, o valor do livro é individual, a partir do que o leitor pensa e/ou sente por ele. Por depender não só do pensamento, mas também das emoções e dos sentimentos, ler um livro não é um fenômeno puramente mental.

Daí que Harry Potter, por mais falhas possam ser identificadas por quem não tem a série em alta conta, será por muitas décadas lembrado nas listas de livros imperdíveis. Apesar de tudo, não quero entrar na discussão sobre a distância entre a experiência real e a análise técnica de um livro e muito menos debater sobre a validade de se classificar as coisas através da “Academia”.

Ainda assim, existe uma definição corrente no mundo da literatura que rotula alguns livros como “clássicos”, livros que seriam tesouros da humanidade e que deveriam ser lidos por todos. A classificação é bastante extensa e variável e, de uma maneira bastante razoável, inclui subgrupos como “clássicos da literatura nacional” ou “clássicos do realismo fantástico”.

No Brasil, temos um grave problema: nossos clássicos, em geral, são do século XIX. Não tiro, de forma alguma, o valor de Machado de Assis, aliás um dos meus autores favoritos, com seu “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Acontece que é difícil para adolescentes de 14 ou 15 anos encararem livros como “A Senhora” ou “Amar, Verbo Intransitivo” de maneira forçada pela escola [e pelas cobranças do vestibular, já que a educação por aqui não está tão interessada assim em formar bons cidadãos quanto em aprovar alunos para a faculdade].

Mesmo considerando-se as listas internacionais, acredito em uma visão crítica. A enorme maioria dos clássicos são europeus e estadunidenses, basicamente porque quem montou as listas era de lá ou tinha um certo amor por essas terras. Da América Latina, Gabriel García Marques, Pablo Neruda e, até certo ponto, Jorge Luis Borges ganham certa atenção, mas existe um vasto contingente de autores simplesmente ignorados.

Aliás, como eu disse, nenhum livro é intrinsecamente ruim, o que naturalmente leva a que nenhum livro é intrinsecamente bom. Eu já li alguns clássicos dos Estados Unidos e achei-os medianos, no geral. “O Velho e o Mar” é curto e passável, “Huckelberry Finn” é chato e arrastado e “O Apanhador no Campo de Centeio” é supervalorizado. Na verdade, bons mesmo, só os livros de histórias curtas do W. Somerset Maugham, como “As Três Mulheres de Antibes” e “A Casuarina”.

Apesar de tudo isso, tendo apontado os problemas que vejo em chamar alguns livros de “clássicos” ou de rejeitar parte da literatura como “sem valor”, acredito que os clássicos possuem grande valor. Uma parte considerável dos livros que li é formada por essas recomendações de décadas, séculos e, em alguns casos, milênios, como “A República”, de Platão.

Alguns livros alimentam o imaginário de uma forma tão poderosa que valem a pena o desafio de ler, como os dois livros de “Dom Quixote de La Mancha”; outros têm méritos literários, são simplesmente muito bem escritos, como “Dom Casmurro”; alguns apresentam temas tão profundos que chegam a ser perturbadores, como “Os Sertões”; por fim, certos livros são simplesmente prazerosos de serem lidos, com personagens e tramas vívidos, como “Cem Anos de Solidão” e “Os Miseráveis”.

Penso que a origem da seleção de alguns livros como especiais foi a percepção de que não é possível ler todos os livros e a ideia de ter uma espécie de recomendação perene do que vale a pena. No entanto, é complicado saber se um livro vai ser bom – especialmente nos quesitos não-mentais – antes de realmente lê-lo. A saída é recorrer às clássicas combinações dos amigos; só é importante aprender a lidar com a expectativa e as perguntas de “E aí, leu?”, “É meu livro preferido, você gostou?”…

Convict Conditioning – Dia 61

Sexta-feira, dia de agachamentos no Convict Conditioning.

Squat
Step 02: Jackknife Squat
3 sets of 35
Um pouco de ardência nas coxas durante primeiro set; sensação de trabalho a partir da segunda metade do segundo set, algum cansaço; terceiro set sem problemas, com um ligeiro tremor nas pernas nas duas últimas repetições.

Os primeiros passos da sequência de agachamentos do treinamento são curiosos no sentido de que eles tornam mais fácil o movimento de subida ao oferecerem um apoio. No “agachamento canivete”, o apoio fica na altura dos joelhos – eu uso uma cadeira. No passo seguinte, o apoio deve estar acima das coxas e é recomendado uma mesa.

Eu diria, com base na minha experiência ainda limitada, que existem fases muito distintas no desenvolvimento de um exercício: a primeira é a da resistência inicial, da novidade. O desafio principal é acertar a maneira apropriada de se movimentar no exercício. No caso do agachamento, por exemplo, eu precisei me acostumar com a ideia de usar a cadeira como apoio na subida. Nesta etapa, o corpo não está acostumado com os movimentos e cansa rapidamente.

Na segunda fase, você já sabe como fazer, só precisa criar resistência física. É quando você tem que sair de uma série com um número moderado de repetições para três séries com várias repetições. É preciso saber dosar o avanço a cada treino e o esforço durante a primeira série, para não acabar sem forças na metade da última.

Por fim, a terceira etapa é a solidificação do domínio sobre o exercício e é a que eu me encontro com o agachamento canivete. Não é mais um grande desafio e boa parte da resistência física já foi gerada. Só preciso confirmar que meu corpo está pronto para a próxima fase. Semana que vem atinjo o patamar de progressão para o próximo passo, mas ainda repito esse exercício na outra semana para garantir que lidarei bem com a nova exigência muscular.

Finalmente adicionei os exercícios de flexão de barra! Eis a primeira tentativa:

Pullup
Step 01: Vertical Pull
3 sets of 40
As três séries realizadas sem cansaço; maior desafio é a respiração correta.

A puxada vertical é muito fácil em comparação com qualquer outro exercício da sequência de flexão de barra. A exigência sobre os músculos é muito pequena e o objetivo é somente garantir que você não sinta dores na articulação dos cotovelos na hora de encarar o passo seguinte. Eu já comecei com o patamar de progressão, mas pretendo realizar quatro semanas de preparo, repetindo as três séries de 40 repetições, para acostumar os braços ao movimento. Além disso, posso aproveitar esse tempo para comprar uma barra que será tão essencial para todos os exercícios desta sequência e para vários da sequência de elevação de perna.

Novo Projeto de Meditação

Meu primeiro contato com a ideia de meditação foi ao assistir um documentário sobre monges budistas. O narrador explicava que esses monges passavam horas a cada dia sentados, em silêncio, de olhos fechados, “meditando”. Ele não entrava em detalhes sobre o que seria esse ato de meditar, parecia que era autoexplicativo.

Mais tarde, alguém me explicou que meditar era “pensar em nada”! Eu tentei algumas vezes, para entender do que se tratava, mas não conseguia manter a mente pensando em nada… logo surgia algum pensamento sobre o dia e eu me distraía pensando em alguma fantasia qualquer.

Eventualmente, fui aprendendo mais detalhes sobre a meditação. Eu falhei homericamente em pensar em nada porque, realmente, seria como começar a me exercitar fazendo flexões de um braço. Entendi que a posição da meditação era um artifício para acalmar o corpo e permitir que a concentração total fosse sobre a mente.

Por fim, aprendi o maior benefício básico da meditação, um ganho que surge desde os primeiros dias de prática: a mente vai se pacificando, o número de pensamentos aleatórios vai diminuindo e a energia mental se mantém. Para usar a mesma metáfora que um professor meu utilizou: imagine que a mente é um grande reservatório, como se fosse o lago de uma enorme barragem. Cada pensamento que nós temos é como se fosse um canal saindo desse lago. Com mil pensamentos por segundo, o reservatório está sempre em baixa e acabamos esgotados no final do dia, sem energia para pensar e aprender. A meditação é uma maneira de diminuir o número de canais retirando energia do lago. Eventualmente, ela ensina a canalizar essa energia de maneira apropriada e até a aumentar a capacidade do reservatório.

Eu meditei de fato, pela primeira vez, há cerca de três anos. Desde então, minha prática tem sido intermitente. Esse é o objetivo deste novo projeto – garantir a minha saúde mental com exercícios consistentes todo dia. Para isso, resolvi aplicar o princípio de que é melhor começar pequeno e ir crescendo aos poucos do que começar com duas horas de prática e desistir na primeira dificuldade.

Portanto, durante a próxima semana, vou realizar pelo menos um minuto de meditação focada no corpo – em outras palavras, vou me sentar por um minuto todo dia e concentrar minha atenção na respiração, nos meus músculos, no meu corpo. Nada de complexo, nada de especial. Claro que, se eu tiver mais tempo e mais disposição, vou procurar fazer mais coisas. Meu intuito é, aos poucos, acrescentar mais práticas. No entanto, ao menos por essa semana, o mínimo é um minuto por dia.

Iniciativa Própria

Iniciativa sempre foi vista como uma característica desejada. Sun Tzu recomendava que o general agisse sempre que houvesse a oportunidade, enquanto Maquiavel afirmava que a guerra era inevitável, apenas poderia ser adiada em benefício do seu oponente. Com a carreira e mesmo a escola sendo comparadas frequentemente a um campo de batalha, é até natural que os conselhos centenários dos dois autores sejam lembrados.

Atualmente, os entrevistadores buscam pessoas com “pró-atividade”, um termo francamente ridículo. Significa a mesma coisa que a velha iniciativa, mas embalado como um traço inovador e que só as estrelas possuem. Muitas vezes, assim que se é contratado, o empregador faz questão de enfatizar que espera essa “pró-atividade” e que o funcionário seja espontâneo e busque caminhos sem precisar ser mandado.

A ironia, claro, está no fato de que da escola à faculdade, a iniciativa é vista como algo a ser controlado. Qualquer criança com uma ideia diferente do sentido que a aula deveria seguir é repreendida e mandada de volta pra carteira. Com os erros sendo enxergados como algo repulsivo e absolutamente indesejável, o ímpeto de começar um projeto novo ou mesmo oferecer uma ideia heterodoxa vai ser embotando.

Apesar de tudo, existe um bom motivo para se valorizar a iniciativa. Um dos maiores temores que impedem a ação é o medo de não conhecer o resultado que pode surgir. Em parte, a solução é planejar com cuidado e tentar prever os contratempos mais prováveis, já pensando na maneira de contrabalançá-los. No entanto, o remédio principal é adotar a mentalidade apropriada e aceitar que, às vezes, as coisas dão errado e que tentando você obtém mais conhecimento sobre o assunto do que se ficar apenas teorizando, sem nunca fazer algo de concreto. Sim, falhar acarreta em prejuízo, mas deixar passar boas oportunidades e não se adaptar a mudanças também.

Empreendedor é uma palavra não muito usada no Brasil. Ela é mais prevalente nos Estados Unidos, onde o mito do “self-made man”, o cara que começa como contador e se torna dono de um império, talvez porque aqui tivemos longos anos de inflação descontrolada e ainda é forte o ideal de um emprego fixo como funcionário público. De qualquer modo, ser empreendedor é justamente ter iniciativa e começar um negócio, lucrativo ou não.

A associação entre o empreendedor e o homem que abre uma lojinha era válida até uns dez anos atrás, mas a internet modificou muitas regras. Um empreendedor pode facilmente começar seu negócio através de um site ou até uma página no facebook. Muitas lojinhas virtuais vendem serviços personalizados, como modificações em um celular ou brincos e colares de personagens de séries, sem possuírem uma sede física com uma vendedora que trabalhe de 9 às 18 horas.

Esta é uma segunda ironia em relação ao interesse das empresas em pessoas com iniciativa. Geralmente, não existe qualquer estímulo, além da subida em uma cadeia imaginária de cargos e títulos, para que o funcionário apresente novos conceitos e técnicas. Raramente uma companhia se dispõe a ceder os verdadeiros lucros de uma ideia a quem a produziu. Uma economia de milhões de reais pode ser recompensada com um final de semana em Búzios. Pouco atraente quando se encara dessa forma.

O negócio empreendido não precisa ter como objetivo ganhar dinheiro. É nesse ponto em que entram em cena os projetos pessoais, como o treinamento do Convict Conditioning e esse blog mesmo. Ninguém me mandou fazer isso e não li em algum manual que esse era o próximo passo para que eu me torne um milionário ou uma pessoa bem-sucedida. Eu apenas pensei o que queria – estar em forma, praticar minha escrita – e tive algumas ideias do que poderia me ajudar nesse sentido. Escolhi algumas e pronto.

Do ponto de vista financeiro, em que eu não recebo um centavo para fazer isso, parece uma perda de tempo, mas é preciso considerar que dinheiro não é parâmetro para tudo e que desenvolver esse tipo de habilidade amplia as possibilidades em todo tipo de área. Por exemplo, escrever melhor me permite ter mais facilidade para redigir relatórios ou até uma dissertação de Mestrado.

Por fim, uma ressalva: Sun Tzu recomendava o movimento rápido sempre que se tinha algo a ganhar com isso, mas apenas nestas condições. Segundo o antigo general, mover suas tropas sem propósito ou por capricho era um erro que poderia custar muito caro. Da mesma maneira, começar um projeto e largá-lo na segunda semana só vai aumentar sua frustração consigo mesmo. Por isso é tão importante analisar as consequências e entender muito bem qual o seu objetivo ao empreender um projeto.

Convict Conditioning – Dia 57

Segunda no treino do Convict Conditioning começa com flexões de braço.

Pushup
Step 02: Incline Pushup
2 sets of 25; 1 set of 24
Ligeiro cansaço nos braços durante primeiro set; tênis começou a escorregar no segundo set, atrapalhando a execução do exercício, cansaço nítido nos braços; no terceiro set, muito cansaço nos braços, últimos 9 movimentos próximos da exaustão; dores pontuais leves ao realizar determinados movimentos no dia seguinte.

Tive um problema técnico, já que meus tênis não têm atrito o suficiente com o piso do trabalho e eu acabo escorregando para trás, um centímetro por repetição. Na metade da segunda série, eu já estava em uma posição incômoda e tive que parar pra me ajeitar. Foi uma interrupção breve, mas eu prefiro fazer todas as repetições de uma série em um tiro só.

Esta foi a primeira vez em que não consegui progredir tanto quanto gostaria. Foi apenas uma repetição a menos, mas, ainda assim, me senti mal. Tentei até colocar um último esforço no sentido de atingir a 25ª repetição, mas meus braços já não tinham condições de sustentar o peso do meu corpo na flexão inclinada.

Eu já tinha aventado a possibilidade e agora acho que é um bom momento para reduzir um pouco o número de repetições que aumento a cada semana, para solidificar o progresso que fiz até esse momento. Por mais ansioso que eu fique por avançar, eu sei que compensa muito mais ir devagar e pisar com firmeza no caminho.

A segunda não foi apenas de limitações. Na sequência, realizei os exercícios de elevação de perna.

Leg Raise
Step 01: Knee Tuck
3 sets of 40
Dia de calor intenso, corpo sobreaquecido nos dois primeiros sets, com nítido trabalho no quadril direito e no abdômen; terceiro set bastante cansativo, mas executado sem maiores problemas.

Pode parecer pouco para aqueles que sempre tiveram facilidade com treinamento físico, mas progredir na sequência das elevações de perna, finalmente atingindo o patamar de avanço para o próximo passo, é uma grande vitória! Visualmente, não vejo muita diferença no meu abdômen, mas conseguir fazer 120 repetições de um exercício que há um ano eu não conseguia nem fazer 15 é um grande incentivo na confiança.

Semana que vem, parto para o patamar iniciante do segundo passo, a elevação deitado com joelho a 90º, ou “flat knee raise”. Fiz uns dois ou três para testar as águas e posso dizer que ficarei impressionado se chegar no ponto em que meu corpo não treme por completo antes de atingir a posição inicial.

Convict Conditioning – Dia 54

No término da oitava semana de Convict Conditioning, a última sexta-feira em que farei apenas os exercícios de agachamento! A partir da semana que vem, com a potencial confirmação da progressão para o Passo 02 de Leg Raises, finalmente entrará em jogo as temíveis Pullups.

Squat
Step 02: Jackknife Squat
3 sets of 30
Primeiro set sem grandes dificuldades, algum cansaço; no segundo set, sensação de trabalho nos músculos da coxa e da panturrilha durante a segunda metade; terceiro set com sensação ainda mais clara de esforço dos mesmos músculos. Algum cansaço ao término, mas sem risco de exaustão.

Em um comentário lateral, só quando fui preparar o resumo dos 50 dias que notei que vinha escrevendo “Jackknife” errado. Acontece… de qualquer modo, foi tão tranquilo fazer as 3 séries de 30 repetições que até penso que poderia ter forçado um pouco mais e tentado alguma de 35. Mesmo assim, acho que não tem problema ficar dentro da zona de conforto uma vez, nem que seja simplesmente para conseguir subir escadas sem problemas no sábado!

Meu recorde pessoal nesse exercício são 3 séries de 35 repetições, então semana que vem pretende igualá-lo. Se tudo correr bem, dentro de 28 dias estarei inaugurando o Passo 03, com os agachamentos apoiados!

A Tara pela Faculdade

Como foi que os Estados Unidos e a União Soviética acabaram com um arsenal nuclear capaz de destruir a Terra centenas de vezes? A corrida de armas, em que um lado sente que precisa demonstrar poderio militar equivalente ao adversário para ser capaz de negociar em condições idênticas, sem poder ser oprimido através da incapacidade de responder a um ataque, foi uma marca da Guerra Fria.

No mundo profissional e acadêmico, algo parecido ocorreu. Uma corrida de diplomas, em que ao invés de se focar no conteúdo ensinado em cursos, o “mercado” procura somente pelo título e pelo diploma na parede ou na gaveta. Algo está evidentemente errado quando concursos públicos para gari exigem diploma de Ensino Médio. Muito mais natural seria procurar candidatos fisicamente aptos ao enorme esforço de lançar sacos cheios de lixo e correr atrás de caminhões madrugada afora.

Há algumas décadas, formar-se no Ensino Médio era um grande acontecimento. Claro, naquela época, o Ensino Médio não era pasteurizado e uniformizado como preparativo de três anos para o Vestibular. Para começar, existiam, de forma geral, três caminhos diferentes depois do então Ginásio, hoje os 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental: o Científico, o Normal e o Clássico. Muitos encerravam seus estudos formais nessa etapa e trabalhavam a vida inteira nessas carreiras.

Logo, o Ensino Médio passou a ser visto como insuficiente. Para algumas profissões, realmente sempre foi dessa maneira. Existe há séculos o Ensino Superior em Engenharia, Medicina e Direito, três cursos universitários que continuam atraindo enorme demanda e oferecendo grande número de vagas em meio a centenas de outras profissões. Seria mesmo difícil confiar em alguém que não estudou os pormenores da Constituição para defendê-lo no tribunal ou o funcionamento biológico do corpo humano para receitar o tratamento adequado diante de uma enfermidade incapacitante.

No entanto, em muitos outros empregos, a experiência e, digamos, uma certa vocação natural sempre foram mais importantes do que qualquer curso de seis meses ou cinco anos. Dificilmente se aprende a ser um bom jornalista em salas de aula. Pode-se aprender a escrever de maneira atraente e a organizar as informações coletadas de forma coerente, mas não existe aula que garanta o mítico “faro pra manchete” e senso crítico para checar as fontes depende mais da vida total da pessoa do que do Coeficiente de Rendimento na universidade. Além disso, como em qualquer outra profissão, só depois de alguns meses ou anos é possível pegar o jeito do ambiente de trabalho.

Não quer dizer que é errado oferecer uma graduação em carreiras que não necessariamente precisem de um diploma de faculdade. O curso de Gastronomia pode garantir o aprendizado de forma adequada e gradual de receitas que dificilmente um chefe de cozinha aprenderia fazendo sempre o arroz e feijão em um restaurante popular, enquanto uma graduação em Artes Cênicas garante uma base teórica que pode não ser garantida se alguém apenas passar de uma estreia para outra.

Contudo, exigir o diploma de Ensino Superior para toda sorte de emprego é pura loucura. Ao invés de aproveitar uma força de trabalho jovem e dinâmica, com conhecimentos teóricos gerais, a grande maioria dos empregadores prefere analisar currículos atrás dos nomes das melhores universidades. Existe uma perversidade nisso: as empresas não querem o trabalho de treinar pessoal e capacitá-los através de cursos internos. Uma preguiça focada somente em custo/benefício de curto prazo.

O resultado foi o aumento expressivo e francamente descontrolado de universidades, faculdades e cursos por todo o país. Mensalidades mais baratas que as de colégio em troca não de uma educação de qualidade, mas de um papel para colocar no currículo. Explica-se daí a explosão seguinte. No início da década de 2000, o Ensino Superior passou a ser encarado como básico e a pós-graduação e o MBA entraram na jogada, como se quatro ou cinco anos de ensino integral não fossem o bastante.

Somam-se a esses requisitos os diversos conhecimentos adicionais obrigatórios. Há quinze anos, bastava ser capaz de usar o mouse e o teclado. Há cinco, conhecimento do pacote Office passou a figurar como importante. Hoje, muitas funções exigem uso avançado nessas ferramentas, bem como experiência em programas caros, como toda a linha da AutoDesk e da Adobe.

Não há sinais de redução. Para algumas posições técnicas – ou seja, que não dirigem outras pessoas nem estão sequer em nível de gerência ou supervisão -, os diretores de empresa começam a incluir o Mestrado como “formação desejável”, Antigamente, um título tão distinto que se recebia o direito de ser chamado de “Mestre”.

A faculdade adiciona tanto assim? A realidade é que não. Basta perguntar aos formandos de qualquer curso em qualquer faculdade. Várias coisas se aprendem, mas o currículo é estufado com matérias anacrônicas ministradas por professores sem didática. Boa parte do tempo ocupado na sala de aula poderia ser melhor utilizado no contato direto com o trabalho profissional. A solução inventada é cruel: não é à toa que o estagiário é amplamente conhecido como “escravo”.

Convict Conditioning – Resumo de 50 Dias

Eu recebi a recomendação do Convict Conditioning por um colega de fórum, estadunidense, e que utilizava o treinamento para se reabilitar de uma condição que o deixara com pouco peso para a sua altura. Peguei para ler o livro em meados de 2012 e achei que valia a pena tentar.  O estilo de escrita de Paul Wade é envolvente, mas não coloco minha mão no fogo pela história do ex-prisioneiro e acho que ele exagera certas opiniões em favor do treinamento com o peso corporal e em detrimento do treinamento com pesos.

Eu nunca fui bom em esportes, mas durante uma época, na metade da faculdade, corria regularmente na orla da praia e fazia flexões e abdominais. As flexões sempre haviam sido um martírio, mas os abdominais eram meu ponto forte. Comecei a praticar o Convict Conditioning em agosto de 2012 e logo senti meu corpo um pouco mais ágil, um pouco mais resistente. No entanto, logo tive que interromper tudo por conta de uma mudança. Fiquei algumas semanas parado e voltei ao treinamento, desde o início, para no prazo de dois meses ter que abortar o projeto em meio a outra mudança.

No meio tempo, descompromissadamente, fiz a sequência de treinamento recomendada no Convict Conditioning 2. Não se trata de uma versão avançada do primeiro livro, mas um manual paralelo, com o objetivo de manter a flexibilidade. Graças a essa prática que finalmente consegui fazer uma ponte, começando deitado no chão e arqueando as costas mantendo o apoio nos pés e nas mãos.

Resolvi, finalmente, retomar o treinamento principal e me decidi a publicar na internet meus esforços, seguindo a orientação de que isso me ajudaria a me manter fiel ao programa e não desistir nos primeiros dias. Na segunda-feira, dia 9 de setembro, completei 50 dias desde o início do treino e pensei em fazer um balanço.

Pushups [flexões de braço]: A parte superior do meu corpo é a mais fraca e, naturalmente, as flexões de braço são exigentes para o meu físico. Comecei com o simples Passo 01 – Wall Pushups [Flexões Verticais na Parede] e logo atingi a progressão necessário para o Passo 02 – Incline Pushups [Flexões Inclinadas de Braço].

Dia 01:  Wall Pushups – 3 séries de 40 repetições
Dia 22: Wall Pushups – 3 séries de 50 repetições
Dia 29: Incline Pushups – 2 séries de 15 repetições
Dia 50: Incline Pushups – 2 séries de 25 repetições; 1 série de 10 repetições

Leg Raises [elevações de perna]: Apesar das flexões serem o meu desafio particular, o exercício mais difícil entre os quatro recomendados de primeiro passo é exatamente o Passo 01 – Knee Tucks [Recolhimentos de Joelho]. Da primeira vez que segui o CC, tive dificuldade para descobrir a forma correta de fazer esse exercício. De alguma forma, desta vez, estou conseguindo fazê-lo com menos sofrimento e estou muito próximo de uma progressão para o Passo 02 – Flat Knee Raises [Elevações com Joelho em 90º].

Dia 01: Knee Tucks – 2 séries de 10 repetições
Dia 50: Knee Tucks – 3 séries de 40 repetições

Este é um excelente exemplo de como, mesmo sem progredir para o passo seguinte, em 50 dias há uma enorme diferença. De um total de 20 repetições divididas em 2 séries de 10, passei para 120 repetições, divididas em 3 séries de 40!

Squats [agachamentos]: Como não queria interromper os treinos como das outras duas vezes, resolvi começar bem lentamente, apenas com as duas sequências de segunda-feira. Foi somente na quarta semana que entrei com os agachamentos, já no Passo 02 – Jackknife Squats [Agachamentos Canivete] porque o Passo 01 é particularmente complicado para quem tem a parte superior do corpo fraca. Também não progredi para o passo seguinte neste, mas estou próximo e em um ritmo confortável e confiante.

Dia 26: Jackknife Squats – 2 séries de 20 repetições
Dia 47: Jackknife Squats – 3 séries de 25 repetições

Pullups [flexões de barra]: Essa é a única sequência dos quatro básicos que ainda comecei, mas que pretendo tomar coragem e encarar em breve!

Em resumo, não é nada excepcional, mas é uma demonstração clara de que eu estou progredindo e isso me satisfaz. Meu objetivo com esse treinamento não é estético, mas um relacionamento melhor com o meu veículo mais fundamental, o que eu uso para interagir com tudo o que percebo no Universo.

Carreira e Hobby

Qualquer coisa que nos aconteça deve ser analisada com ponderação. Um artigo de jornal, um livro, um filme, uma série, a opinião de um amigo e até mesmo nosso próprio julgamento diante de um fato devem ser considerados com paz de espírito e de mente. Isso vale para qualquer postagem deste blog, mas especialmente para a de hoje, uma vez que a minha carreira profissional não tem décadas, mas alguns anos.

Frequentemente nos identificamos com o nosso trabalho ou a nossa profissão. Quando nos perguntam “o que você é?”, nosso primeiro pensamento não é responder “eu sou brasileiro” ou “eu sou politicamente conservador”, mas falar em trabalho: “eu sou analista de mídias digitais”, “eu sou engenheiro eletricista”, “eu sou CEO de uma multinacional de tampinhas de garrafa”.

É uma associação até certo ponto natural. Já diziam que “você é o que você faz”. Acontece que o seu trabalho não é – ou não deveria ser – a única coisa que você faz na sua vida. Teoricamente, você ocupa mais ou menos oito horas do seu dia no ambiente profissional. Se descontarmos outras oito horas de sono [com erro de quatro horas, para mais ou para menos], existe toda uma outra metade do seu dia em que você tem assuntos diferentes em mente.

[Não tem a ver com esta postagem, mas vinte e quatro horas no dia – oito horas de sono – uma hora para chegar no trabalho – oito horas de trabalho – uma hora de almoço – uma hora para voltar do trabalho = cinco horas para todo o resto de atividades que você quer fazer… esse esquema de trabalhar de 8 às 17 horas em cidade grande não parece uma ideia tão boa assim, parece?]

A definição de hobby ou passatempo costuma ser na linha de “algo que você gosta de fazer, mas que não paga as suas contas”. Se você pensar no que faz em seu tempo livre, esse conceito se aplica? Minha impressão é que ele implica uma definição bem amarga do seu trabalho, “algo que você não gosta de fazer, mas que paga as suas contas”…

Dinheiro não é algo trivial. Aliás, só é para quem tanto que não sabe sequer como gastá-lo. Para quem tem conta de luz, gás, telefone, celular, aluguel e condomínio todo mês para pagar, a ideia de não ter uma fonte de renda parece uma péssima visão. Portanto, não estou de forma alguma querendo dizer que você deve fazer somente o que te diverte, independente dos ganhos. Comida não brota magicamente na mesa nem plano de saúde se paga por mágica.

Mesmo assim, é uma péssima ideia trabalhar em um emprego que te faça sentir cansado, estressado, humilhado, desanimado, desperdiçado. Uma boa definição para passatempo seria “algo que eu gosto, mas não é meu foco”, onde o trabalho viraria “algo que eu gosto e que é meu foco”. Como um guitarrista que se aventura no piano. Tocar guitarra é o trabalho, tocar piano é o hobby.

Ainda que seu trabalho seja algo que você goste muito – e, não, isso não é impossível, mas vai ser difícil encontrar um olhando apenas o contracheque na hora de escolher -, você não é ele. Você é muito mais do que o seu emprego. Não é a sua labuta diária que te define, mas o que você sente, o que você pensa, o que você deseja e o que você faz desde o segundo que acorda até a hora de dormir.

A ideia de “carreira profissional” envolve um longo período da sua vida passando por diferentes fases dentro da mesma linha profissional. Se você está trabalhando em algo que não gosta, é uma boa ideia começar a procurar um caminho diferente ou você vai se ver preso durante três ou quatro décadas e isso vai destrui-lo. Se você acredita que não pode simplesmente largar o seu emprego, comece a pensar de forma maior nos seus hobbies ou nos assuntos sobre o que gosta de ler ou assistir.

Comece a planejar projetos pessoais, empreitadas de tempo limitado [de preferência, menor do que um ano] em que você se aventura a fazer algo – não se trata de um empreendimento completamente descompromissado, mas também não é a sua única aposta. O treinamento do Convict Conditioning, por exemplo, é um projeto pessoal meu, com o objetivo de criar o hábito de me exercitar e manter meu corpo ativo. Ele não envolve ganhar dinheiro, mas representa um grande avanço de qualidade de vida. Esse assunto é bastante vasto e pretendo um dia explorar um pouco mais a ideia.

Convict Conditioning – Dia 50

Oitava semana, quinquagésimo dia de treinamento no “Condicionamento do Condenado”, o regime de Convict Conditioning.

Pushup
Step 02: Incline Pushup
2 sets of 25; 1 set of 10
No final do primeiro set, os músculos do braço começaram a sinalizar cansaço; metade do segundo set realizado com uma sensação considerável de incômodo e trabalho no braço; terceiro set de 10 repetições feito com dificuldades.

De volta à bancada da pia da cozinha e, desta vez, mantendo os cotovelos junto ao corpo, as flexões de braço começaram a pesar. Realizar duas séries de 25 repetições já foi, por si, um desafio. Completar com uma terceira série menor, de 10 repetições, revelou-se complicado de verdade. Ao mesmo tempo em que penso quão longe ainda estou da progressão – 3 séries de 40 repetições -, olho os números, faço as contas e percebo que acabei de fazer 60 repetições de um exercício que, há dois meses, eu dificilmente conseguiria fazer 20 vezes.

Pela primeira vez, nos dias que se seguiram senti um incômodo muito particular em ambos os braços. Não era exatamente uma fraqueza e nem chegava a ser uma dor, mas alguns movimentos ativavam certas partes dos músculos que ainda estavam se recuperando. Estou considerando seriamente reduzir o aumento de repetições na próxima semana, o que vai atrasar meu cronograma ideal imaginário de progressões. De qualquer modo, é melhor avançar poucas repetições por semana do que correr com o programa e ficar eternamente preso em um platô.

Leg Raise
Step 01: Knee Tuck
3 sets of 40
Primeiro set sem problemas; a partir da metade do segundo set, sensação de trabalho leve no abdomen e nas coxas; metade do terceiro set com pernas trêmulas.

Estou cada vez mais empolgado com a possibilidade de atingir, pela primeira vez, o segundo passo da sequência do treino de elevação de pernas. Há alguns meses, enquanto esperava um ônibus na praia, notei um homem fazendo uma série de exercícios de peso corporal. Além de uma sequência de flexões de braço impressionante, ele se pendurou em uma barra e fez cerca de cinco repetições da elevação de perna até a altura do quadril. Não foi um desempenho perfeito – ele balançava o corpo um pouco para pegar momentum e fez as repetições em cerca de 10 segundos -, mas deu para ver o quanto esse exercício exige dos músculos do abdomen e do quadril.

Com 3 séries de 40 repetições, atingi a progressão recomendada para o segundo passo, as elevações com o joelho em 90º. Apesar disso, vou me assegurar de que dominei esse primeiro passo, do recolhimento do joelho, antes de partir para frente.