Em Busca de…

Verdade, Luz, Liberdade, Amor e Paz

Convict Conditioning – Dia 106

Segunda-feira da 16ª semana de Convict Conditioning, hora de estrear as novas flexões de braço e atingir o patamar máximo nas elevações de perna!

Pushup
Warm-up – Step 01: Wall Pushup
1 set of 50
Step 03: Kneeling Pushup
2 sets of 10
Aquecimento sem dificuldade, com um pouco de tensão nos cotovelos; braços trêmulos durante primeiro set; sensação de trabalho nos ombros, braços trêmulos na metade do exercício, tensão no abdômen.

A partir do terceiro passo, decidi seguir a recomendação do livro de fazer alguns exercícios de aquecimento antes de partir para as séries principais. Desta vez, fiz uma série completa do primeiro passo, a flexão de braço de parede, o que não foi dificuldade alguma e serviu para deixar meus músculos prontos para as flexões de braço ajoelhado.

O requisito mínimo é sempre baixo, 1 série de 10 repetições, mas, pra variar , o exercício é enganadoramente fácil e se equivoca quem acredita que vai ser um passeio. Um ponto que exige atenção especial é a posição do corpo : eu estava acostumado a pensar que, na flexão ajoelhada, o corpo fazia 90º; na verdade, é como se você estivesse alinhado para fazer uma flexão de braço normal, mas encostasse os joelhos no chão.

Estou começando a notar uma pequena diferença nos músculos do braço e do antebraço. Nada de muito especial, já falei outras vezes que tenho uma enorme dificuldade para desenvolver musculatura, mas tenho bem mais firmeza nos movimentos do que tinha há três meses e meio.

Leg Raise
Step 02: Flat Knee Raise
3 sets of 35
Primeiro set realizado sem problemas; a partir de metade do segundo set, bastante incômodo no abdômen; terceiro set completado com dificuldades, muita tensão e incômodo no abdômen e nos quadris.

O movimento já se tornou natural, embora eu ainda termine muito cansado e com dificuldades para levantar do chão. Mais do que isso, esse exercício me faz suar muito e eu sempre tenho que passar um pano no chão depois. Então, pense com cuidado se vai usar uma camisa ou não e em que parte da casa vai fazer as elevações com joelho a 90º.

Acabei atingindo o patamar de progressão no segundo passo da sequência de elevações de perna em uma semana a menos tempo do que levei no primeiro, o recolhimento de joelho [Knee Tuck]. Continuo sentindo um esforço bastante significativo no abdômen, especialmente entre o umbigo e os genitais. Na próxima semana, confirmo o domínio sobre esse passo para garantir a passagem para o terceiro, a elevação com joelho a 45º [Flat Bent Leg Raise].

Atenção Plena

O desafio de quem pratica meditação não é ficar sentado cinco minutos parado, não pensando em nada – embora isso, por si só, já tenha um enorme grau de dificuldade. Trabalhoso é transportar o estado mental que se atinge quando se está concentrado, em um quarto silencioso, sem interrupções, para todo o resto do dia, com crianças berrando, pressões de trabalho, exigências de performance, reclamações do namorado ou da namorada, dor de cabeça e tudo o mais.

Existe uma lição muito famosa, repetida em diversos livros, filmes e palestras motivacionais, que diz que o importante é “estar no momento presente, no aqui e agora”. Muito fácil dizer, muito difícil fazer. Estar completamente presente significa não ficar fantasiando com possibilidades, imaginando o futuro ou sonhando com o passado. Ter atenção plena exige estar focado na exata ação que você estiver desenvolvendo naquele instante.

Como no caso da meditação, as primeiras objeções geralmente surgem de quem não tem a menor intenção de tentar. “Se você viver sempre no agora, então não vai planejar nunca o que fazer? Vai ficar o tempo todo agindo de improviso?” Basta pensar um pouco para perceber que você pode muito bem alocar alguns minutos do seu dia para “planejar o dia de amanhã” ou “planejar a semana que vem” ou “planejar minha carreira” e, aí sim, pensar no futuro.

“Pensar no futuro” é uma ação e, dessa forma, pode receber a atenção plena, também chamada de mindfulness. O importante é ter um foco – quando você vai pensar nas tarefas de amanhã, não adianta ficar sonhando com a Mega Sena ou com sua colega de faculdade. O mesmo vale para reminiscências – se tiver que pensar em algo do passado, tenha o foco de se concentrar na questão em mãos e não ficar relembrando seu primeiro amor.

Quem já tentou essa atenção plena sabe que tudo vai bem durante os primeiros cinco minutos e, de repente, sem você nem perceber, você já estava pensando no jogo de amanhã enquanto abria 10 abas no Google Chrome. Por isso, a vantagem de um lembrete constante da necessidade de estar no presente – seja na forma de uma frase no topo do caderno ou de uma página inicial do navegador.

É trabalho pesado, mas traz grandes benefícios. Quando você está no presente, consegue se concentrar na lista de coisas a fazer. Dedicando atenção plena, você aproveita melhor o seu filho ou a sua esposa. Sem distrações mentais o tempo inteiro, o trabalho rende, a conversa é mais interessante e desenvolvida, o descanso é melhor. Sim, porque está não é uma daquelas técnicas mirabolantes de produtividade, mas uma forma de se viver em paz.

Quando você dedica atenção completa ao seu momento de descanso, o domingo deixa de ter aquele gosto terrível de véspera de segunda-feira, simplesmente porque a segunda deixa de existir na sua mente. Hoje é domingo e só o domingo importa. Claro, em algum momento do dia, você escolheu a atividade “planejar noite de domingo” e criou uma lista básica de coisas a ficarem prontas pra te ajudar na manhã da segunda – carteira e celular em cima da mesa, camisa passada, mochila arrumada. Tirando o momento de planejar essas ações e o de realizá-las, todos os outros minutos do domingo podem ser dedicados ao seu lazer.

Esse é o universo da atenção plena, onde vivem os grandes mestres, gurus, monges e santos; onde também habitam os atletas na hora da competição, os guerreiros no momento da verdade. É desafio para a vida inteira, uma tarefa árdua de treinar de uma forma completamente diferente o seu modo de pensar, mas o impacto é muito maior que o esforço. Comece agora.

Convict Conditioning – Dia 103

Depois de comemorar os 100 dias do hábito de exercícios regulares sob a orientação do Convict Conditioning, o treinamento de calistenia [bodyweight] criado por Paul Wade, está na hora de encarar o primeiro passo rumos aos 150, começando com os agachamentos!

Squat
Step 03: Supported Squat
3 sets of 20
Ardência nos músculos das coxas e sensação de trabalho nas costas no primeiro set; segundo e terceiro set sem dificuldades.

A sequência de agachamento continua sendo a que representa o menor desafio das quatro que tenho realizadas. O agachamento apoiado me deixa um pouco ofegante e gera uma ardência nos músculos das pernas, mas tudo dentro do esperado para exercícios físicos. Tenho tomado o cuidado de manter a respiração dentro do ritmo recomendado. No final de semana, tendo subido e descido escadarias e ladeiras de Santa Teresa, senti o peso do exercício de sexta e senti incômodo por toda a musculatura abaixo dos quadris até os pés.

Pullup
Step 02: Horizontal Pull
1 set of 10; 1 set of 6
Primeiro set transcorreu um pouco melhor do que na semana anterior; segundo set com bastante dificuldade, sem forças para progredir corretamente.

Eu já sabia que a sequência de flexão de barra seria um pesadelo, mas esperava um desempenho melhor. Aumentei em uma única repetição o número de puxadas horizontais em comparação com a semana passada. Estou percebendo que ficarei um longo tempo nesse Passo 2, mas que seja! Se isso for o necessário para que eu desenvolva a potência muscular para conseguir completar os dez passos, então fico um ano, se preciso, nesse exercício.

NaNoWriMo – resumo até dia 2

Como eu informei nessa postagem, meu projeto pessoal para novembro é voltar a participar do NaNoWriMo após uma ausência de 4 anos. A diferença é que, desta vez, eu não pretendo escrever um romance, mas roubar e fazer uma série de artigos sobre meu entendimento no campo esotérico e místico do conhecimento. Quando participei do meu primeiro NaNo, em 2008, comecei a escrever de improviso e o “Livro de Salatiel” foi concluído, embora eu jamais o tenha revisado.

O caso é que eu até trabalho bem com um esquema geral dos temas a serem abordados e a ordem em que eles devem aparecer – funcionou maravilhosamente quando tive que escrever meu Trabalho de Conclusão de Curso, a temida Monografia, em uma semana [culpa minha por ter enrolado durante um ano e quatro meses]. Quando você arma o esqueleto do que pretende apresentar, acaba ficando mais fácil para organizar as ideias dentro de cada tópico.

Por isso, para este NaNoWriMo, fiz uma lista de assuntos sobre os quais pretendo falar, mas não entrei em muitos detalhes para manter o desafio da aventura. Nos dois primeiros dias, fiz uma média de 1.800 palavras, somando um pouco mais de 3.600 no final das contas. Ainda é bastante pouco perto da meta de 50.000, mas é um avanço consistente que me deixa confiante na possibilidade de ser um vencedor nesta edição.

Escrever não-ficção é mais fácil do que escrever um romance porque é menos um trabalho de imaginar situações e mais uma função de organizar as ideias na cabeça e ordená-las para que sejam apresentadas de forma inteligível para quem estiver lendo. Por outro lado, é mais complicado porque exige um esforço de justificar ou explicar todas as afirmativas e de asseverar que a mensagem está sendo transmitida da forma desejada.

Já notei algumas informações que eu queria ter escrito, mas acabei deixando para trás. Não vou voltar e ficar editando o texto do passado porque sei que isso vai consumir tempo muito precioso – estou anotando em uma lista paralela para acrescentar no teórico mês da revisão, dezembro. Além disso, sempre que termino a contagem pelo dia, estou deixando indicado o tema a ser abordado no dia seguinte para não ter que reler o que escrevi e sofrer a tentação de retrabalhar o que foi feito.

Dias de escrita: 2
Dias sem escrita: 0
Total de palavras: 3.602
Média diária: 1.801

Convict Conditioning – Resumo de 100 Dias

É impressionante como os primeiros dias de um novo hábito passam muito devagar, mas logo as semanas se sucedem sem você perceber direito. No final de setembro, escrevi um resumo dos 50 dias de Convict Conditioning; agora é a vez do resumo dos 100 dias, 14 semanas e meia depois do começo.

Pushups [flexões de braço]: A parte superior do meu corpo é a mais fraca e, naturalmente, as flexões de braço são exigentes para o meu físico. Comecei com o simples Passo 01 – Wall Pushups [Flexões Verticais na Parede] e logo atingi a progressão necessário para o Passo 02 – Incline Pushups [Flexões Inclinadas de Braço]. Agora, termino os 100 dias tendo garantido a progressão para o Passo 03 – Kneeling Pushups [Flexões de Braço de Joelhos].

Dia 01:  Wall Pushups – 3 séries de 40 repetições
Dia 22: Wall Pushups – 3 séries de 50 repetições
Dia 29: Incline Pushups – 2 séries de 15 repetições
Dia 99: Incline Pushups – 3 séries de 40 repetições

Leg Raises [elevações de perna]: As elevações de perna foram meu grande desafio nos primeiros 50 dias, apesar de eu ter obtido uma grande evolução de 20 para 120 repetições naquele período. O segundo passo da sequência, porém, não é tão complicado e estou próximo de terminá-lo com mais facilidade do que eu esperava.

Dia 01: Knee Tucks – 2 séries de 10 repetições
Dia 57: Knee Tucks – 3 séries de 40 repetições
Dia 64: Flat Knee Raises – 2 séries de 15 repetições
Dia 99: Flat Knee Raises – 1 série de 35 repetições; 2 séries de 30 repetições

Squats [agachamentos]: Comecei com os agachamentos somente na quarta semana, seguindo minha ideia de retornar ao treinamento de Convict Conditioning de uma forma controlada. Nos primeiros 25 dias, apenas aumentei o número de repetições do segundo passo, os agachamentos canivete. Agora, depois de 75 dias de prática, já atingi o terceiro passo, o agachamento apoiado.

Dia 26: Jackknife Squat – 2 séries de 20 repetições
Dia 75: Jackknife Squat – 3 séries de 40 repetições
Dia 82: Supported Squat – 2 séries de 15 repetições
Dia 96: Supported Squat – 1 séries de 20 repetições e 2 séries de 15 repetições

Pullups [flexões de barra]: A realidade é que as flexões de barra são igualmente meu grande sonho e meu grande pesadelo. Eu sou bastante ruim nesse exercício, mas ele é importante e eu tenho a ambição de atingir o Passo de Mestre, o 10º estágio, em todas as sequências do livro. Comecei com o primeiro passo que é ridiculamente fácil a ponto de eu já atingir o patamar de progressão no primeiro dia. Mesmo assim, resolvi me ater a ele durante um mês para treinar os movimentos e acostumar o corpo. O segundo passo, a puxada horizontal, tem um grau de dificuldade imensamente maior e sinto que permanecerei nele um bom tempo.

Dia 61: Vertical Pull – 3 séries de 40 repetições
Dia 89: Vertical Pull – 3 séries de 40 repetições
Dia 96: Horizontal Pull – 1 série de 8 repetições; 1 série de 5 repetições

É um ritmo lento de progresso – tenho certeza de que atletas e pessoas com aptidão física avançam pelos passos expostos por Paul Wade de uma forma muito mais rápida. Mesmo assim, estou bastante satisfeito porque existe consistência de esforço e de resultado. Visualmente, não houve grande impacto ou diferença. Certamente, eu não engordei e consigo sentir certos músculos, como os das coxas, das panturrilhas e do abdômen, mais firmes, mas nada que salte aos olhos.

Meditação – Semana 6

Nas três últimas semanas, reduzi drasticamente meu tempo de meditação por causa dos compromissos profissionais. Por um lado, isso significa um progresso mais lento, mas, por outro, também é um sucesso. Conseguir manter o hábito de meditação mesmo sob a pressão aumentada é um sinal de que já enraizei essa prática, o que me deixa muito satisfeito.

A partir do feriado de Finados, devo conseguir separar mais tempo para me dedicar a esse tempo que me traz tantos lucros. A verdade é que toda vez que eu me sento para meditar, minha mente se acalma e reencontra uma espécie de ponto de parada, um abrigo. Na sequência de eventos do cotidiano, às vezes parece que os pensamentos simplesmente não param. Os minutos de meditação são justamente uma interrupção desse fluxo daninho.

Um dos benefícios mais interessantes de meditar diariamente é que eu consigo me concentrar melhor nas minhas atividades diárias. Tenho feito um esforço consciente nesse sentido – de estar no momento presente, preocupado com a tarefa em mãos, sem ficar a toda hora me interrompendo, imaginando o que eu vou fazer daqui a pouco ou se vou conseguir atingir o prazo do serviço de amanhã. É difícil e eu falho com alguma frequência, mas já consigo perceber um aumento na produtividade.

Meditar é definitivamente um hábito que se paga muitas vezes. Os benefícios são muito grandes e simplesmente não há malefícios associados. Imagina se ao invés de parar para olhar a timeline do facebook, a gente parasse para meditar uns 5 minutos a cada hora? Hm, talvez seja um desafio interessante a me propor…

Dias de meditação: 7
Dias sem meditação: 0
Tempo médio de meditação [total]: 3 minutos e 20 segundos

Convict Conditioning – Dia 99

Segunda-feira da 15ª semana de Convict Conditioning e véspera dos 100 dias de projeto [que merecerão seu resumo igual ao dos 50 dias]!

Pushup
Step 02: Incline Pushup
3 sets of 40
Primeiro set com algum cansaço, mas com ritmo bem adequado; segundo set, mais cansaço, sem comprometimento; incômodo no pulso direito e sensação de trabalho em ambos os braços e nas costas ao término do terceiro set.

São as flexões de braço que me dão esperança em relação às flexões de barra. Mesmo inseguro da minha capacidade, consegui triunfar sobre o Passo 2 do Convict Conditioning e confirmar o patamar de progressão, 3 séries com 40 repetições. Sei que para quem tem experiência com exercícios físicos, fazer flexões apoiado na bancada da cozinha parece brincadeira de criança, mas é uma vitória.

Estou finalmente pronto para as flexões em posição horizontal, começando pelo Passo 3, as flexões de joelho [Kneeling Pushup]. Esse exercício é bem conhecido por ser costume que os professores de Educação Física e os personal trainers de academias de ginástica recomendem essa versão para as mulheres. Ainda falta alguns passos até a flexão comum, mas estou certo de estar progredindo!

Leg Raise
Step 02: Flat Knee Raise
1 set of 35; 2 sets of 30
Primeiro set tranquilamente realizado; segundo set com cansaço significativo na parte inferior do abdômen e na lateral do quadril; terceiro set executado com dificuldade, corpo trêmulo, cansaço intenso no abdômen.

A sequência das elevações de perna pode enganar facilmente os incautos, que cometem o equívoco de achar que seus passos são de fácil execução comparados a abdominais e elevações de perna suspenso na barra. Subitamente, os músculos do abdômen e dos quadris passam a arder e logo estão cansados, causando incômodo de verdade.

É interessante como no Passo 1, o recolhimento de joelho [Knee Tuck], o trabalho parecia concentrado na lateral dos quadris e no topo do abdômen. Agora, parece que o foco está na parte inferior do abdômen. Eu sempre sinto bastante tensão nos músculos dessa região. Aliás, esse é o exercício que mais tem me feito suar. Chego a deixar o chão molhado.

A Espada na Pedra

“A Espada na Pedra” [The Sword in the Stone] é o nome do primeiro livro da série de T. H. White “O Outrora e Futuro Rei” [The Once and Future King]. O nome vem da inscrição no túmulo do Rei Arthur, que promete que o mítico governante da corte de Camelot um dia retornará para comandar novamente a ilha britânica.

Em comparação com os outros três livros que compõem a série, “A Espada na Pedra” é como um conto de fadas na mesma linha dos filmes da Disney – não por acaso a história recebeu uma versão animada vendida aqui no Brasil como “A Espada Era a Lei”. Apesar de ser um romance que conta sobre a infância e os aprendizados do futuro Rei Arthur, White obviamente lança o holofote sobre o mago Merlyn.

De fato, a história só engrena e se torna interessante quando Arthur se perde na Floresta Sauvage e topa com a cabana do grande nigromante. Sua aparência suja, as falas repletas de referência ao futuro, tanto da história quanto do nosso mundo, a cabana povoada de invenções fantásticas e Archimedes, a coruja companheira que dá nome à nave em Watchmen, tornam o personagem carismático.

Merlyn entende a importância da sua função ao educar o futuro Rei. Sabe que o garoto vai ser o exemplo e a inspiração de séculos. Sua Ordem de Cavalaria será sempre usada como referência sobre heroísmo e dedicação a uma causa nobre. Seu esforço para mudar a visão sobre a guerra como um esporte de nobres terá repercussões permanentes.

Ao mesmo tempo, o mago Merlyn também sabe qual será o final dessa história. Ele conhece os eventos que se avizinham e não apenas tem ciência de que, em breve, ficará preso em uma caverna devido aos caprichos da Senhora do Lago, mas também que os atos do jovem Arthur terminarão trazendo sua ruína, em consonância com a história iniciada por Uther Pendragon.

O método de ensino do bruxo é a transformação do seu pupilo em animais [e também, apesar de não ser mostrado, em vegetais e até mesmo minerais] para que ele compreenda melhor como todas as formas de vida se organizam e pensam. A princípio, parece um recurso infantil, para estimular a imaginação das crianças, mas é fácil perceber como White procurou usar as histórias como meio de transmitir sua visão sobre o espírito belicoso do homem.

De todas as transformações, duas merecem um destaque em particular. Quando Arthur se torna uma formiga, ele tem a experiência de viver sob um regime opressor e totalitário. É curioso como a linguagem é parte do processo da dominação e imediatamente somos remetidos à novilíngua de 1984. No idioma das formigas, só existem duas qualidades: “done” e “not done”. Uma tarefa concluída, naturalmente, é “done”; mas uma formiga fora de seu posto, desorientada, ferida ou rebelde é “not done”. Agradável é “done”, assustador é “not done”, e assim em diante. “Good” e “ungood”, mas ainda mais voltado para o utilitarismo.

A segunda transformação que merece atenção é, na realidade, uma adição posterior de White. Arthur é transformado em um ganso selvagem e experimenta a vida em uma comunidade onde o conceito de posse, de fronteiras e guerras não apenas é alienígena, mas é considerado ofensivo. Nesse contexto, dá para imaginar que se White vivesse hoje, teria incluído também uma discussão sobre o amor livre.

Um demérito notável do livro é seu final apressado. White opta por simplesmente cortar vários anos da vida de Arthur e Merlyn e parece correr logo para chegar na parte da “espada na pedra”. A tensão é muito breve e talvez o motivo seja porque o autor tem consciência de que todos sabem como Arthur deve se tornar Rei.

As referências anacrônicas são interessantes, tentar entender como Merlyn enxerga o mundo a partir de sua relação única com o tempo é desafiador e vários personagens secundários têm carisma – o meu preferido é o bom, velho e atrapalhado Rei Pellinore, na sua eterna demanda atrás da Fera Demandante [Questing Beast]. No final das contas, é uma leitura que vale a pena, tanto para adolescentes quanto para adultos.

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Infelizmente, temos disseminada na politica há dois séculos a divisão entre “direita” e “esquerda”, como se a atuação política fosse unidimensional e limitada a andar nessa escala do azul para o vermelho. Os estadunidenses até usam esses termos como ofensa quando desejam, mas adotam um esquema diferente, de “liberal” e “conservador”, embora tenha exatamente a mesma falha de limitação.

Os artigos relacionados à questão das drogas que publiquei foram, na realidade, uma expressão dos pensamentos que evoluíram dentro da minha mente ao entrar em contato com diferentes pontos de vista e, acima de tudo, pensar por minha própria conta e tentar entender melhor o que eu achava razoável no assunto.

Nesse caminho, percebi que temos, como sociedade ou grupo de seres humanos, um problema grave em reduzir nossos debates ao ponto errado. Quando falamos em saneamento, discutimos a quilometragem das tubulações e não a forma de tratamento dos dejetos e o local onde são despejados. Quando entramos no assunto dos engarrafamentos, escrevemos sobre as multas de trânsito, a falta de vagas e a disputa entre ônibus x carros, quando deveríamos estar pensando em melhor ocupação do espaço urbano para que as pessoas precisem se deslocar menos para trabalhar, estudar ou se divertir.

Além disso, temos outra tendência que se originou de necessidades práticas, mas que também produz resultados bastante adversos: rotular, categorizar e classificar tudo com que entramos em contato. Assim, nossa visão de gênero e sexualidade é o simples “M” ou “F”. No auge de pretensa boa vontade, existem lugares que dão a opção de “Não desejo declarar”.

Todo o debate sobre os gays vai acabar fazendo com que alguma mente pouco esclarecida crie uma nova caixinha com “G”, sendo que identidade de gênero é bem diferente de “por quem eu me atraio”. “G” poderia aparecer com “H”, de Hetero, “B”, de Bissexual e “A”, de Assexuado, mas ainda seria uma simplificação de algo que não pode ser reduzido a letras em um formulário.

Nós somos, por natureza, compostos por múltiplas camadas. Esse reducionismo, como eu disse, tem uma função prática: é mais fácil para a nossa mente aplicar certas etiquetas às pessoas para que possamos fazer uma estimativa rápida do comportamento que devemos esperar da parte deles. Se criarmos um estereótipo de jovem heterossexual branco rico – ou se comprarmos um que seja vendido por propaganda de grupos, o que e um debate em si -, ao encontrarmos uma pessoa que se encaixe mais ou menos nessa categoria, já “saberemos” o que esperar.

Claro, é um erro, como toda generalização. Aliás, na verdade, o erro está em generalizar e ficar satisfeito. A generalização é como a Wikipedia: um bom ponto de partida para fins práticos. Como nas equações diferenciais, faz bem primeiro encontrarmos a solução geral para um problema. No entanto, devemos também achar a solução particular que realmente responde o que desejamos saber.

Às vezes, as pessoas correspondem muito a um estereótipo, exceto por um ou dois pontos. Outras vezes, não são nada do que esperávamos. No fim, o estereótipo é uma imagem que nunca se prova verdadeira, especialmente porque costuma ser congelada no tempo e as pessoas estão em constante mutação através dos anos.

Prescindir do estereótipo, da etiqueta, da categorização é bastante complicado. Não vou fingir que sei fazer isso – na verdade, talvez tenha uma tendência até maior do que a média de classificar as pessoas de acordo com características que tenho na minha cabeça. Mesmo assim, eu procuro fazer um esforço para ser receptivo e tentar enxergar o outro como ele realmente é, não como eu imagino que ele seja.

O Castelo de Ar que Foi Explodido

Desta vez, a controvérsia em relação ao título do terceiro livro da saga Millennium é maior: a versão sueca estampa na capa algo como “O Castelo de Ar que Foi Explodido”, mas o tradutor do livro em inglês afirma, no primeiro comentário em um artigo deste blog, que o manuscrito original sueco vinha com o título de “A Rainha no Castelo de Ar”, bem próximo do brasileiro “A Rainha do Castelo de Ar”.

A trilogia escrita por Stieg Larsson realmente é fantástica como um conjunto. Apesar disso, existe uma diferença de qualidade entre os livros, onde o primeiro é o que tem a trama melhor amarrada e o ritmo mais regular, enquanto o terceiro sofre com uma desigualdade de passo entre as histórias paralelas, a profusão de personagens com pouca caracterização e, no geral, uma narrativa inferior.

Isso não quer dizer que o livro seja mal escrito ou que não tenha excelentes cenas ou discussões. Em um dos maiores momentos de “púlpito do autor”, Érika chama um jovem jornalista para uma conversa em particular e explica o papel do jornalista investigativo, que não apenas deve se certificar da veracidade das informações coletadas, mas também questionar as intenções de quem divulgou os dados.

É fácil perceber como temos falta dessa espécie de pensamento nas redações dos nossos jornais quando vemos manchetes e reportagens relatando boa parte do que ministros, deputados, senadores e políticos em geral dizem sem o trabalho de conferir se existe um bom embasamento para aquelas projeções ou informações.

Além disso, não existe qualquer trabalho sério no sentido de esquadrinhar a real situação da economia brasileira e não apenas analisar numericamente os valores de IPCA, IGP-M, variação do aluguel ou do IBovespa. A discussão nunca é sobre por que o PIB trimestral caiu em relação ao mesmo período do ano anterior, somente sobre qual foi o percentual de diferença e quais respostas foram dadas sobre o assunto pelos políticos relevantes.

Outra linha da trama, que acaba perdendo bastante força no final, discute sobre as empreiteiras, grandes empresas e indústrias e sua atuação na economia do país. Larsson aproveita a oportunidade para ventilar sua visão de que não apenas a Bolsa de Valores não corresponde ao estado de saúde da economia, mas que boa parte dos controladores majoritários das ações está preocupada tão somente com a fortuna pessoal e não tem o menor interesse na situação dos trabalhadores que são seus funcionários.

A visão do funcionamento de um grande jornal conservador pode facilmente ser transposta para o funcionamento das redações brasileiras ou americanas, em geral. É fácil querer identificar o SMP com o Globo, mas a verdade é que esse estilo de gestão acontece em todo veículo de grande circulação, independente das tendências filosóficas ou políticas dos donos. A produção da Caros Amigos segue a mesma linha que a da Folha de São Paulo, só que em sentidos aparentemente distintos.

O enredo principal é interessante, mas não tanto, talvez porque as coisas se encaminham de tal forma que é como se víssemos o tal “castelo de ar” do título mirando todas as suas defesas contra o cavaleiro solitário em frente ao portão sem notar os trezentos tanques que estão se aproximando por trás. A expectativa é gerada pela tensão e quando você olha um campo de batalha montado assim, sabe bem o resultado sem nem ver o combate em si.

A discussão sobre o serviço secreto merece seu destaque, especialmente em tempos de Edward Snowden, PRISM e NSA. Muitos livros e filmes já foram escritos sobre a paranoia da Guerra Fria e os planos mirabolantes e absurdos da polícia secreta de diversos países. Os espiões duplos e triplos, as intervenções em governos e revoluções aliadas e inimigas, os programas de vigilância, as detenções, torturas, sequestros e assassinatos cometidos à revelia da lei, tudo isso faz parte do repertório dessa bibliografia.

Essa mentalidade dificilmente é compatível com a realidade do início do século XXI. Os Estados Unidos estão sofrendo um enorme revés com a atitude de Snowden, que está sendo caçado e, se extraditado para os EUA, certamente ficará preso para o resto da vida. Mesmo um governo visto como liberal e “bonzinho” como o de Barack Obama serve, obviamente, primeiro aos propósitos dos controladores do país e, depois, aos interesses do povo.

Apesar de tudo, são necessárias medidas de segurança internas, conforme o próprio Larsson, através de Blomkvist, assevera no romance. Os malucos que pretendem explodir um prédio para promover uma causa ou os extremistas políticos e religiosos precisam ser observados e detidos antes que causem grave mal aos demais cidadãos e é esse o papel principal de uma organização de investigação interna.

Por falar em Blomkvist, suas dimensões nunca foram muito profundas e se tornam mais limitadas neste terceiro livre. Apenas duas características se destacaram: a primeira, explícita, é o seu charme quase irresistível para as mulheres. A segunda, notável por ausência, é sua relação com a família. Se a filha aparece rapidamente no primeiro livro e é apenas mencionada em pensamento no segundo, desta vez sequer aparece na trama. Esse é um pai que não dedica cinco minutos da semana para saber como as coisas estão com sua menina.

No final das contas, não deixa de ser positivo o fato de que os personagens principais possuem defeitos – a própria Lisbeth, tão incrível, se prejudica repetidamente por ser tão intransigente em sua individualidade e independência. Mesmo que o livro não seja impressionante, ainda é um fecho aceitável para uma trilogia que deveria ter dez livros e que certamente ainda tinha muito o que render.